Por Priscila Sampaio

Em 24 de July de 2019

O mercado de influenciador digital está se reorganizando e profissionalizando

A pergunta da bolha de influência, feita no título, está pairando na cabeça de inúmeros influenciadores digitais que estão preocupados com a ocultação e possível fim das curtidas (em público) como métrica de entrega. 

Contudo, as publicações sem as curtidas já estão cobrando (como sempre) uma maior qualidade de conteúdo de publicação. Mas como ser o destaque no oceano chamado Instagram?

Bolha de Influência?

No Youpix Talks de julho, os convidados, entre eles o CEO da Airfluencers Rodrigo Soriano, discutiram se há a bolha da influência e como os influenciadores digitais podem trabalhar e superar essa possível bolha. 

Bia Granja, CEO da Youpix, acredita que só existe a bolha quando há superficialidade de conteúdo. “O mercado está passando por um processo de amadurecimento e entender que temos que ser profissionais, seja qual for o lado do mercado que está. Estamos colocando o nível da régua de influência para cima. A bolha que está estourando é a da não influência”

Um caso citado por Bia é a influenciadora americana Arii. Mesmo com uma base de influenciadores de  mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, não conseguiu vender 36 camisetas. Contudo, a estratégia utilizada tanto pela marca, quanto pela influenciadora foi errônea, já que o estilo da camiseta nada tinha a ver com o dia a dia da jovem. 

O que é ser um influenciador digital ? 

Aqueles que não trabalham com seriedade estouram como bolha.  “Nem todos têm sucesso no marketing de influência, há o conteúdo, performance, existe muita coisa envolvida. A profissionalização desse mercado é o filtro dos que passam e que não passam. Existe uma superexposição de influenciadores, agora, fica quem se demonstra melhor nesse meio”, afirma Rodrigo Soriano. 

Esse ponto de vista é compartilhado com a Gabriela Alves, head de marketing digital da Pepsico, diz que as marcas não tem mais a postura de divulgar tudo com todos. O anunciante passou a enxergar a performance do influenciador digital, a saber se há conexão com a sua marca ou produto. 

“As decisões agora é baseada em conteúdo, é preciso escolher certo para evitar que a audiência do influenciador entenda o relacionamento com a marca como um jabá (presente dado pela empresa em troca de divulgação). O criador de conteúdo sempre deve priorizar seus seguidores, o faturamento será natural”, comenta Gabriela.

Como ser um influencer e não estar na bolha de influência?

É nesse contexto que as formas de se tornar influenciadores digitais ressaltam a importância dos seguintes fatores: 

1 – O que eu desejo falar?

Que tipo de assunto e formato você vai se especializar? Diferente do que as pessoas imaginam, o bom influenciador é aquele que tem knowhow em algum tema, que irá contribuir para a audiência. 

2 – Para quem devo falar? 

Quem é o meu público alvo? O tipo de audiência que quero conquistar vai determinar minha relevância sobre o tema. 

3 – Qual plataforma de rede social vou usar? 

A partir da escolha será necessário o planejamento de criação de conteúdo. Quando falamos de Youtuber, é preciso mais etapas de trabalho, como edição de vídeo, sonoridade e grade de publicação. 

4 – Frequência de postagem

Em qualquer canal de comunicação, programa de rádio e TV, anúncios na TV aberta, toda mídia tem o compromisso de data e hora com o público-alvo. Não é diferente com o influenciador que deve ter esse compromisso com seus seguidores que aguardam pelo seu novo conteúdo, na data marcada.

5 – Qualidade de conteúdo

É preciso se planejar, buscar referências, trazer novidades e criatividade para as publicações para não ser mais do mesmo no oceano de influenciadores digitais no Instagram, por exemplo. O conteúdo com autenticidade é valorizado pelas pessoas e empresas. 

Realismo no mundo virtual

A pessoa que é influenciadora digital é aquela que consegue propagar uma informação, que faz as pessoas absorverem aquilo que ela gosta (por isso se relaciona). De acordo com pesquisa da Qualibest, as pessoas aceitam mais uma indicação de amigo/pessoa do que das marcas.

E as empresas que querem entrar nessa onda, devem oferecer uma experiência para o consumidor e não uma propaganda tirada da TV para o Instagram. 

Por isso a escolha certa do influenciador é de suma importância, porque precisa ser algo natural, como parte do dia a dia do influenciador digital e não como uma simples propaganda.

A influenciadora Ana Paula Xongani, ela que também participou do YoupixTalks, afirma que a bolha que está estourando é aquela onde se encontram a influência vazia, a falta de match com a marca. “No meu ponto de vista é ótimo que se estoure essa bolha, porque assim se abre mais espaço para os influenciadores digitais reais, se amplia o espaço na internet para dialogar com empresas e agências”, comenta a influencer. 

Métricas x Qualitativo

De acordo com o Luiz Guilherme Moura, analista de influência da Mutato, o influenciador vai muito além de números entregues, mas o comportamento, quem de verdade é a pessoa que está criando o conteúdo é que pode promover a marca. 

É importante ressaltar que escolher o influenciador somente pelos números pode trazer um falso positivo. Por exemplo, quando falamos que um perfil cresceu em número de comentários, de seguidores, que poderia ser um ponto satisfatório para o engajamento, quando se cresceu sendo questionado sobre uma postura ou afirmação? 

Bolha de influência e seus dados

Um caso recente e emblemático foi com a Bettina Rudolph, da agência Empiricus. Depois dos comerciais incessantes no Youtube, em que ela afirmava que chegou a 1 milhão de reais a partir de um investimento de R$ 1.500,00, o perfil da moça cresceu em números de seguidores durante uma semana mais de 200%. Os comentários em algumas postagens chegaram a mais de mil. 

Mas que tipo de comentários eram feitos, dos novos seguidores, quem quantos são o haters e lovers? 

Com números gigantes, o essencial é checar a credibilidade desse influenciador. 

Um passo em falso de uma postagem pode arranhar a imagem da empresa. 

O que é influência? 

De acordo com Henrique Diaz, da Box1824, a influência é aquela que propaga a verdade, o intangível que impacta as pessoas.

“Hoje a marca que quer fazer uma ativação é muito mais complexo do que 10 anos atrás. É necessário entender todo o complexo que o influenciador digital está inserido. Entender qual é o papel de cada um, tanto da empresa quanto dos influenciadores digitais”, comenta Diaz. 

No resumo da história: ser autêntico é ser verdade é a principal fórmula para ser influenciador no Instagram. 

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CEO da Airfluencers Rodrigo Soriano (à esquerda), profissionais de marketing e a influenciadora Ana Paula Xongani

Conclusão

O influenciador digital que pretende conquistar espaço e relevância no Instagram precisa ter em mente que não é dar bom dia todos os dias que conquistará a audiência. 

É preciso se profissionalizar. A plataforma pode ter ocultado as curtidas, mas outras métricas ainda são importantes para as marcas, como número de comentários, nível de engajamento e principalmente: conversão, seja em awarness ou em vendas. 

Apresentar um bom mídia kit é o primeiro passo. Ter ciência do desempenho das suas publicações é algo primordial para negociação com as empresas. 

A bolha estoura quando é frágil a camada onde está inserida. E o marketing de influência está longe de ser algo de fragilidade. 

Leia: Como usar o marketing de conteúdo nas redes sociais? 

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